quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vamos vadiar, professor?! Jogos Teatrais e Ludicidade para Educadores- Uma experiência necessária no Sertão da Ressaca Conquistense

Vamos vadiar, professor?!
Jogos Teatrais e Ludicidade para Educadores-
Uma experiência necessária no Sertão da Ressaca[i] Conquistense
  Por Marcelo Benigno


“É possível negar, se se quiser, quase todas as abstrações: a justiça, a beleza, a verdade, o bem, Deus. É possível negar-se a seriedade, mas não o jogo.
Johan Huizinga - Homo ludens

Foi realizada no mês de setembro, durante as Atividades Curriculares dos Professores da Secretaria Municipal de Educação - SMED­ - de Vitória da Conquista, a Oficina de Jogos Teatrais e Ludicidade para Educadores dos Núcleos de Alfabetização- Segmento do 1º ao 3º ano e Escolas Nucleadas; Núcleo da Diversidade- Professores do EJA; Núcleo Educomunicação- Professores das Salas de Leitura.

Desde que assumi a Coordenação Pedagógica, no Núcleo Educomunicação, junto com Cristina Leilane, na SMED, senti a necessidade de retomar as práticas lúdicas e artísticas nas formações de professores, o que tenho feito a muito, no decorrer da minha trajetória profissional. Atendendo uma demanda grande e, sobretudo, urgente para a Secretaria de Educação e do Núcleo de Alfabetização, que trabalha com crianças em plena fase de desenvolvimento e de jogo, esbocei a oficina e mãos à obra!




Participaram ao todo, 550 professores, sendo que 460 destes eram do Núcleo de Alfabetização de escolas da zona urbana e rural do município.  A organização da oficina foi feita da seguinte forma:

Primeiro Momento- Metodologia para que?! A Coordenação do Núcleo de Alfabetização abria o encontro falando sobre Metodologia, (cada Ac é escolhido um tema para a reflexão junto aos educadores) e logo após, o espaço era destinado a oficina. A mesma dinâmica se repetia a tarde, mas com grupos diferentes de professores, num período de duas semanas. A sala foi paramentada para receber os educadores e compartilhar e estimular um olhar lúdico e possível em sala de aula.

O que mais caracteriza a ludicidade é a experiência de plenitude que ela possibilita a quem a vivencia em seus atos. (LUCKESI)



Segundo Momento- Onde, Quem, O Quê!! Através de slides retomei o conceito de ludicidade, jogo e brincadeira evocando Luckesi e toda a cultura popular para me acudir na busca por uma ludicidade plena e participativa para todos. Piaget e Vygotsky também entraram na roda mostrando que o jogo é fundamental no desenvolvimento do ser humano, e que nós, educadores podemos agir na ZDP- zona de desenvolvimento proximal- para estimular uma aprendizagem lúdica, plena e prazerosa. 


Peter Slade também se fez presente, falando do Jogo Dramático Infantil, brincando de faz de conta como criança, em todas as possibilidades desse jogo projetado ou pessoal, enquanto eu, assumia algumas personas para resignificar o meu jogo/aula/ encenação/ oficina. A cada citação, exemplos práticos, através de depoimentos dos próprios educadores e de pequenos vídeos, eram exibidos para ilustrar tais assertivas, causando admiração do público, como por exemplo, o vídeo de um grupo de cabras brincando de pular numa placa de zinco, num campo verde ou a menininha coreografa e dançarina num jogo de habilidade e plenitude em sua dança seguida por dois adultos.


O jogo dramático é uma parte vital da vida jovem. Não é uma atividade de ócio, mas antes a maneira da criança pensar, comprovar, relaxar, trabalhar, lembrar, ousar, experimentar, criar e absorver. O jogo é na verdade a vida. (grifo meu). A melhor brincadeira teatral infantil só tem lugar onde oportunidade e encorajamento lhe são conscientemente oferecidos por uma mente adulta. Isto é um processo de “nutrição” e não é o mesmo que interferência. É preciso construir a confiança por meio da amizade e criar a atmosfera propícia por meio de consideração e empatia. (PETER SLADE)

A ludicidade é uma área muito grande a ser trabalhada, sobretudo é área de pesquisa e estudos em várias universidades, a saber, a UFBA com o GEPEL - Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Ludicidade ligado ao Programa de Pós-Graduação em Educação, da Faced, o qual tive a alegria de participar e brincar. É engraçado achar que o brincar é só uma distração ou que o artista ou professor brincante é uma mera cigarra cantante enquanto a formiga é a trabalhadeira e previdente da fábula.
Após esta abordagem teórica necessária de contextualização, ora solfejadas por cantigas de roda, textos dramáticos ou brincadeiras populares, vem a parte dos jogos teatrais.


Os jogos teatrais foram sistematizados inicialmente pela educadora americana Viola Spolin e se tornaram uma metodologia eficaz para o trabalho de atores e não atores em vários espaços, públicos e segmentos, inclusive na sala de aula.

Viola Spolin

Livro de Olga Reverbel com Jogos Teatrais na escola.


Augusto Boal em ação no seu Teatro do Oprimido em São Paulo, 1979.

Os Jogos teatrais chegam ao Brasil, nas obras de Viola Spolin, pelas mãos da escritora, tradutora e professora da ECA- USP, Ingrid Koudela, tradutora da obra de Spolin e também, estudiosa na área da didática do teatro e do jogo. Outros ecos brasileiros com as propostas de Olga Reverbel e Augusto Boal, no seu intrigante Teatro do Oprimido, só para citar dois exemplos que gosto muito, e que serão esmiuçados nas próximas etapas desta oficina, são referência no estudo e sistematização do jogo. Outros autores também foram citados e suas obras levadas para a sala de aula no nosso altar da ludicidade, que pode ser conferido, na bibliografia, ao final deste relato.    



Terceiro Momento- Bora Vadiar?! Prática, prática e prática!!Obá!!! Após esta estimulação inicial fomos para a prática, mostrando exemplos com crianças, adolescentes e adultos em estado de jogo em várias situações. Afinal, se a ludicidade é a vivencia da plenitude nas atividades que participamos, vamos nos permitir passar por esta experiência, então?!

O primeiro passo para jogar é sentir liberdade pessoal. Antes e durante o jogo, devemos estar livres. É necessário ser parte do mundo que nos circunda e torná-lo real tocando, vendo, sentindo o seu sabor, e o seu aroma [...]. A liberdade pessoal [...] leva-nos a experimentar e adquirir autoconsciência (autoidentidade) e autoexpressão. (VIOLA SPOLIN)

Sendo filho do teatro, da cultura popular e da criação artística fico inebriado e estimulado com o poder do jogo, da arte e de todos os seus desdobramentos. Em 2010 ministrei na UFBA, como professor Substituto da Escola de Teatro, a disciplina Jogos e Improvisação Teatral para uma turma do BI- Bacharelado Interdisciplinar em Artes, culminando com a montagem resultante do jogo cênico intitulado: Alitrix



Foi uma experiência prazerosa e trabalhosa, com um grupo de estudantes/jogadores ativos e criativos, com uma carga horaria extensa de atividades teóricas e práticas. Até hoje quando encontro Ágata Matos nas ruas do centro de Sampa indo apresentar o musical O Rei Leão; ou Romeran Ribeiro, Marcus Lobo, Marco Kipman, Jessica Andrade, Mirela Gonzalez e Salete Saraiva se jogando em produções, espetáculos e experimentações teatrais na capital baiana, recordamos com alegria esses encontros, jogos, improvisação e cenas surgidos neste processo e os laços que ficaram fora dos papéis definidos naquela ocasião. Afinal, qual o papel do professor em sala de aula?! E do aluno?! Hierarquia na sala de aula/ensaio/arte em pleno século XXI?!



Diário de Bordo- 06/10/2010- BI- ARTES- UFBA
Muito Gato
Começou a aula com uma novidade, a sequência do gato (miauh!!) seria repetida 5 vezes e não mais 3 como vinha sendo (sofrimento). Mas eu completei o exercício. Na aula anterior Benigno tinha pedido que trouxéssemos sugestões para por na caixinha... Saiu cada coisa, meu Deus! Santa criatividade desse povo, algumas rodadas foram interessantes, as vezes era fácil a galera acertar por que as frases eram deles/nossas. A ideia é melhorar a cada dia. Benigno sugeriu um jogo de improvisação com um objeto (meia). Fiz a primeira dupla com Ágata e foi pra mim a melhor cena que eu fiz nesse dia. É preciso pensar rápido, imaginar uma situação que além de gostosa de fazer, que cole com o objeto, e o colega concorde com a ideia. Discutimos sobre a aula, como sempre fazemos, tentamos ver o que foi difícil e fácil de fazer.
Obs: SE JOGA!
Marcus Lobo



Diário de Bordo- 06/10/2010- BI- ARTES-UFBA
Improvisação com frases- Caixinhas
Fizemos várias interpretações. Peguei a tira e pus na cabeça como se fosse meu cabelo, e eu, a imagem de uma santa, mãos póstumas, rezando. Quando Jéssica pega no meu “cabelo”, segundo ela revelou mais tarde, como se admirasse e ao mesmo tempo sentisse inveja. Eu já recebi de outro jeito. A mulher “santa” se sente atraída pela linda jovem que lhe acaricia o cabelo. Um bom exercício da criatividade. A tira de pano virou tantas coisas diferentes! Cada um jogou um significado diferente.
Caixinhas: Onde? Oque? Quem?
Difícil. Demostrar com a expressão do corpo, deixar passar a intenção, o que vai na mente sem falar, ou falar muito pouco. Gostei de fazer uma improvisação com Marcus; aquela do intestino do porco e o presidente do EE.UU. (EUA). Ah, também gostei de fazer o gato e o cachorro brigando por um lugar, esta fiz com Marco. Percebo que fazer de conta que somos coisas ou animais é mais fácil de “entrar e ficar” no jogo.
Salete Saraiva

No ano passado, trabalhei em São Paulo como artista/educador do Ateliê de Teatro da Fábrica de Cultura[ii]- Unidade Jaçanã, com crianças e adolescentes, num semestre inteiro, usando o jogo como estimulador das abordagens educacionais, artísticas e teatrais. Foi mágico e potente usar jogo, não só como estética ou ferramenta, mas como prática metodológica pulsante a todo instante, em todo o processo educativo das oficinas, até a culminância com a apresentação dos jogos/cenas/vivencias para o público, no encerramento do semestre, no TREM DA FÁBRICA.





Nos dois contextos e na Oficina para educadores, o jogo se mostrou potente para a sensibilização do corpo, estimulo da criatividade e ativação desse estado de jogo tão necessário para exploramos uma presença ou fisicalidade indispensáveis a criação, ao conhecimento pessoal e grupal, a descoberta de princípios tão simples e primordiais no processo ensino-aprendizagem para a vida!

Link de um dos momentos da Oficina como os Professores da EJA feito por Joventino;



A Conquista do Jogo- Nos jogos para professores numa sala de aula, o jogo também foi pulsante e contagiou os jogadores e a plateia. Cada turma realizou uma série de jogos que poderão e deverão ser realizados em suas abordagens didáticas e criativas em sala de aula, com uma clientela mais variada possível.

Os jogos teatrais podem trazer o frescor e vitalidade para a sala de aula. As oficinas de jogos teatrais não são designadas como passatempo do currículo, mas sim como complementos para aprendizagem escolar, ampliando a consciência de problemas e ideias fundamentais para o desenvolvimento intelectual dos alunos. (VIOLA SPOLIN)


No jogo todo somos iguais, assim como numa roda popular brincante. No jogo religamos de forma intensa e prazerosa, o que na teoria muito não se faz ou não consegue fazer. Como eu diria para os PHdeuses em suas academias, áreas e pesquisas:  - Venha cá, professora doutora, faça uma atividade lúdica prática conosco e com uma turma nossa de alunos! E a professora doutora lúdica para escapar da prática que lhe falta e que não possui, volta a mais uma citação decorada e/ou equivocada abordando qualquer autor sobre o construtivismo ou a arte no resgate da autoestima do educando... afinal, nem tudo que é dito lúdico para um, é lúdico para outro! Salve, salve Luckesi! Salve, salve A Professora! 
(A Professora é mais uma persona do cavalo que vos escreve como Professor Personagem e Professor Brincante nas suas abordagens artístico-pedagógicas.)



O que ficou desta experiência em nós?  Nesses dias todos de oficina, com tantos educadores participantes poderia destacar muitas coisas, mas o que mais chamou a atenção foi a forma como estes educadores aceitaram o desafio e a proposta para jogar. Foi quase unanime a vontade de vivenciar, na pratica, o que o jogo pode causar em cada um! Que delicia verem eles na blablação ou no jogo das caixinhas se deleitando como crianças. 


É claro que em alguns casos, por todos os preconceitos com a arte, com as ACs, com o incenso (postei na minha rede social o fato ocorrido na oficina de uma educadora desinformada e preconceituosa sobre o uso do incenso na sala) ou com o brincar, dentro e  fora da sala de aula, sobretudo, para uma educação conteudista focada só no letramento codificado na leitura e na escrita de sinais gráficos ou nos índices dos programas nacionais de alfabetização e “medição” da qualidade educação no país, brincar pode ser somente perda de tempo, pois escola é lugar para ler e escrever- NÃO BRINCAR- diria alguns pais e professores desavisados ou tradicionais.


Sou professor e sei de todas as demandas em uma sala de aula, sobretudo, numa sala multisseriada, com vários níveis de aprendizagem juntos! Sei também de toda a demanda que o Núcleo Pedagógico tem, apesar de falarem por aí, que os Coordenadores e no Núcleo não se trabalha, ou pouco se faz. Imagine pra mim que sou Licenciado em Teatro, ator e diretor teatral e brincador popular?! Pausa dramática para a reflexão do lugar do brincar no desenvolvimento humano e da arte na vida de cada um, especialmente desses educadores e educandos!


Mas o que me toca e impulsiona é perceber este encontro feliz e indispensável com a experiência viva da arte, do jogo e da ludicidade com quem está disposto a brincar e tornar esta vivencia forte e potente na sua vida, memória e trabalho.

Comecei a fazer teatro quando criança e Dona Maria Adélia, minha professora primária, soube me estimular no mundo da leitura, da poesia, das artes, da declamação de poemas, numa salinha pequena de uma escola chamada Álvares de Azevedo, lá na Fazenda Xavier, na zona rural do Guigó (distrito de José Gonçalves, em Vitória da Conquista -BA), e Ivonete Oliveira, outra professora, me apresentou o mundo do teatro na igreja. Elas, de certa forma, conduziram e direcionaram o que sou hoje e isso para mim tem uma força incomensurável, e é como me sinto diante de tantas crianças e adolescentes quando estou numa sala de aula sendo professor, sendo artista, ator, brincador!  


Temos sim o poder de estimular essas crianças e jovens ao sucesso ou ao fracasso! Podemos dar asas ou corta-las. Podemos educar para vida como para a escravidão! Registrei esta memória/experiência no espetáculo teatral Entre a Cruz, a Espada e a Estrada – Como nasce um Artista Sertanejo, que compartilho com vocês o fragmento agora:

Eu tinha de 09 para 10 anos quando recebi a “missão”. Haveria um desfile cívico no centro do povoado, onde morava, e os melhores alunos foram indicados para representar a escola. Eu era um deles. Com orgulho e ufanismo infantil estufei meu peito e fui representar minha escola. Mas o destino já brincava comigo. Na frente do pelotão ia o imponente D. Pedro em um cavalo tão alto quanto se podia olhar. Ele era um menino lindo, de uma brancura ímpar, com cabelos curtos e negros, parecendo a versão masculina da Branca de Neve. Todos queriam estar lá, em cima do cavalo. Até eu. Só que o nosso Branco de Neve era tímido. E num passe de mágica, talvez da minha fada madrinha, acabei em cima do cavalo. A banda tocava num ritmo eufórico e frenético, atiçando meu coração. Ivonete, a que me colocou no cavalo, num gesto místico passou-me a espada e pediu que, ao seu sinal, gritasse, com toda minha força o texto. Nunca vou esquecer a sensação, o fogo no rosto, a altura do cavalo, o olhar do público que me acompanhava num cortejo quase medieval. – Vai! Disse ela com um olhar de esperança. Tremendo e apoiando uma das mãos na cabeça da sela, exclamei:
                            “- Forjem as armas soldados! Independência ou morte!!”
Desse dia em diante, nunca mais larguei a minha excalibur e assumi de vez a missão de guerreiro pela arte.


Como no texto teatral continuo acreditando numa educação acessível a todos, com arte, ludicidade, teatro, cultura popular e estripulias, que tire o estudante e o professor de um comodismo ou tradicionalismo imposto que nos enquadram e aprisionam. Podemos nos aprisionar numa prática sem prática só pautada em citações ou títulos adquiridos sem o chão, sangue e poeira encarnada no nosso corpo-discurso, para sustentar uma carreira que não impulsiona sonhos ou asas de ninguém, por estar presa em salas e reuniões obsoletas e burocráticas ou na vaidade e egos dos que se perderam de si próprios na busca dos quallis e lattes da vida... A ironia é que quanto mais se estuda, mais se afasta das pessoas, da realidade, da experiência que são a matéria prima e objeto do aprimoramento e pesquisa, a meu ver.


Nossa intenção é uma educação para libertar e dar foco a toda criatividade viva e pulsante. Quero uma escola que seja um circo de fantasia não de prisão! Acredito em professores brincantes, palhaços, contadores de causos e histórias e vi muitos desses nessa oficina de Jogos e Ludicidade. Aprendemos e nos formamos não só na escola ou academia, mas com a experiência espalhada em todos os grupos que participamos e devemos diariamente resignificar este espaço da escola e entusiasmar por uma educação mais presente e significativa na vida de cada um.


A Oficina de Jogos e Ludicidade para Educadores foi só um pirulito na boca, como disse, para aguçar o gosto doce pelo brincar e arte nas salas de aula, e o resultado foi super positivo e agradou aos educadores, brincantes e jogadores presentes, como registrado na avaliação do encontro.


Agradeço por todos os sorrisos, presença e alegrias desses educadores que brincaram comigo e experienciaram os jogos e o lúdico como metodologia pulsante, necessária, vivificante e possível nas salas de aula, nas comunidades, nas igrejas e na vida.


Continuemos! Mês que vem tem mais!
Por uma educação pautada no indivíduo, na pessoa, na arte e na vida!

MERDA PARA NÓS, SEMPRE!
Evoé, axé, laroyê!!! Experienciemos!

Aprendemos através da experiência, e ninguém ensina nada a ninguém. [...] Se o ambiente permitir, pode-se aprender qualquer coisa, e se o indivíduo permitir, o ambiente lhe ensinará tudo o que ele tem para ensinar. “Talento” ou “falta de talento” tem muito pouco a ver com isso. Devemos reconsiderar o que significa “talento”. É muito possível que o que é chamado comportamento talentoso seja simplesmente uma maior capacidade individual para experienciar. [...] Experienciar é penetrar no ambiente, é envolver-se total e organicamente com ele. (VIOLA SPOLIN) 

PS: Obrigado a Erick, Elisangela, Joventino e Lucinea pelas imagens fotográficas que registraram esta memória lúdica. Valeu mesmo, queridos!




[i] Sertão da Ressaca é uma área localizada no estado da Bahia que originalmente foi doada em 1783 pelo Rei de Portugal ao Capitão-Mor João Gonçalves da Costa, fundador da cidade de Vitória da Conquista, em recompensa pela conquista definitiva daquela região após pacificar e catequizar os índios nativos.
O Sertão da Ressaca se estende do sul, no alto Rio Pardo, até ao norte, no médio Rio das Contas. Ao oeste o limite é o Rio Gavião, da foz até as proximidades da atual cidade de Anagé, ao leste o limite é o começo das terras de vegetação conhecida como "mata de cipó". 

[ii] O Programa Fábricas de Cultura é uma política cultural desenvolvida pelo Governo do Estado de São Paulo, através da Secretaria de Estado da Cultura e administrado por duas organizações sociais, a Catavento Cultural e Educacional, que gerencia 5 unidades na zona leste da capital paulista (Vila Curuçá, Sapopemba, Itaim Paulista, Parque Belém e Cidade Tiradentes) e a Poiesis, responsável pelas zonas sul (Capão Redondo, Jardim São Luís) e norte (Brasilândia, Vila Nova Cachoeirinha e Jaçanã). O território de atuação das Fábricas de Cultura, 10 distritos da cidade de São Paulo, se caracterizam pelo alto Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ)2, promovido pela Fundação SEADE em 2000. As Fábricas de Cultura são equipamentos de formação e difusão artística e cultural, seu público alvo prioritário são crianças e jovens, entre 08 e 21 anos. São oferecidos ateliês de formação cultural de dança, teatro, circo, música, multimeios, escrita criativa e capoeira, entre outros. Totalizam 10 prédios, com cerca de 7.000 m² cada, que contam estrutura especializada, com salas de aula/ensaio variadas, biblioteca e teatro.


BIBLIOGRAFIA BÁSICA PARA O JOGO

BARBOSA, Ana Mae (org.). Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.
BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação: conflitos/acertos. São Paulo: Max Limonad, 1985.
BARBOSA, Ana Mae. História da arte-educação. São Paulo: Max Limonad, 1986.
BARBOSA, Ana Mae. Inquietações no ensino da arte. São Paulo: Cortez, 2002.
BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Editora 34, 2002.
BOAL, Augusto. Jogos para atores e não atores. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira: 2004.
BOAL, Augusto. Teatro do oprimido. Rio de Janeiro. Civilização Brasileira, 2003.
CHACRA, Sandra. Natureza e sentido da improvisação teatral. São Paulo: Perspectiva, 2000.
FURTH, Hans G. Piaget na sala de aula. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1997.
HUIZINGA, Johan. Homo ludens: o jogo como elemento da cultura. São Paulo: Perspectiva, 1999.
JAPIASSU, Ricardo. Metodologia do ensino do teatro. Campinas: Papirus, 2001.
KISHIMOTO, Tizuko M. (org.). Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. São Paulo, Cortez, 1997.
KOUDELA, Ingrid. Brecht: um jogo de aprendizagem São Paulo: Perspectiva, 2002.
KOUDELA, Ingrid. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 2002.
KOUDELA, Ingrid. O texto e o jogo: uma didática brechtiana. São Paulo: Perspectiva/EDUSP, 2001.
KRAUSE, Gustavo Bernardo. Educação pelo argumento. Rio de Janeiro: Rocco, 2007.
OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky – Aprendizado e desenvolvimento um processo sócio-histórico. São Paulo: Editora Scipione, 1995.
OLIVEIRA, Vera B. de. Rituais e brincadeira. Petrópolis: Vozes, 2006.
REVEBEL, Olga. Jogos Teatrais na Escola. São Paulo: Scipione, 2003.
ROSA, Sanny S. Construtivismo e Mudança. São Paulo: Cortez, 2000.
RYNGAERT, Jean Pierre. Jogar, representar. São Paulo: Cosac & Naif, 2009.
RYNGAERT, Jean Pierre. O jogo dramático no meio escolar. Coimbra: Centelho, 1981.
SANTOS, Vera Lúcia Bertoni dos. Brincadeira e conhecimento: do faz-de-conta à representação teatral. Porto Alegre: Medicação, 2002.
SLADE, Peter. O jogo dramático infantil. São Paulo: Summus, 1978.
SPOLIN, Viola. Improvisação para o Teatro. São Paulo: Perspectiva, 2005.
SPOLIN, Viola. Jogos teatrais: o fichário de Viola Spolin. São Paulo: Perspectiva, 2008.
SPOLIN, Viola. Jogos teatrais na sala de aula: um manual do professor. São Paulo: Perspectiva, 2008.
TAVARES, Renan (Org.). Entre coxias e recreios: recorte da produção carioca sobre o ensino de teatro. São Paulo: Yendis, 2006.
VIGANÓ, Suzana Schmidt. As regras do jogo: A ação sociocultural em teatro e ideal democrático. São Paulo: Hucitec, 2006.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. Michael Cole (Org.). A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
VYGOTSKY, Lev Semenovich. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
WINNICOTT, Donald Woods. O brincar e a realidade. Imago Editora Ltda, 1971.
ZEICHNER, Kenneth. A formação reflexiva de professores: ideias e práticas. Belo Horizonte:Autêntica, 2003.

domingo, 24 de agosto de 2014

GLAUBERIANDO A ODISSEIA DE CACILDA! Para Dani Rosa e Massumi


GLAUBERIANDO A ODISSEIA DE CACILDA!

Teatro Oficina, Vitória da Conquista, memórias e arte 
que valem a pena religar e compartilhar #!
Para Dani Rosa e Massumi

Material de Divulgação- Página  Virtual do Oficina
Tive o prazer de acompanhar a Odisseia de Cacilda Becker, encenada neste ano, pelo Teatro Oficina em São Paulo. Agora na reta final com Cacilda !!!!! (cinco exclamações) - A Rainha Decapitada, mais uma surpresa: todos os mares levam ao Oficina e mais uma rosa de Conquista abarcou para encher de poesia e sons os palcos sagrados de Zé Celso. 
Falo agora de Felipe Massumi, artista da nova geração conquistense que voa nos teatros de Sampa. 

Felipe Massumi- Foto acervo pessoal
Graças a Dionísio, ele fora iniciado no teatro conquistense no processo do espetáculo popular: Uma Andorinha só não faz.... Uma adaptação, catingueira e sertaneja do Grupo Caçuá de Teatro para o texto: O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá de Jorge Amado. 

Material de Divulgação do Espetáculo. Caçuá 2007
Neste trabalho, que ganhou um edital na Bahia para montagens de pequeno porte, (não entendi até hoje este termo, e tem montagem de porte menor e maior?!)  Felipe Massumi, ou Mastrume, além de tocar, atuou e participou da composição musical, criando junto conosco, a música tema para este espetáculo que circulou palcos e ruas no interior e na capital baiana.

Massumi agora faz companhia a outra joia do sertão baiano, a atriz conquistense Daniele Rosa, já conhecida dos paulistanos, e que também, já comungou com o Caçuá nas terras mongoiós. 

   Auto da Conquista- 2000- Vitória da Conquista-BA
Grupo de Teatro da Uesb / Grupo Caçuá de Teatro

Dani Rosa e suas facetas em Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada.
Fotos Eduardo Oliva
Ambos artistas sertanejos e nordestinos estão inteiros nessa temporada do Oficina, e assim como reflete a Odisseia de Cacilda, compõe um retrato da historia do teatro do nosso país.

Nesse trabalho, o que mais me impressionou foi ver o quanto o xamânico e incansável Zé Celso Martinez consegue transpor para a cena tantos elementos e discussões que nos tocam e são pertinentes até hoje.

A cuidadosa produção dessa labuta fica clara logo no inicio, desde a composição e zelo com figurino, a vários elementos da cena dessa odisseia, que dramaturgicamente se renovam a cada encenação ou se fazem presentes das mais variadas formas, como por exemplo, a presença do cavalo animal, que sempre aparece nas encenações de Cacilda e no Zé. Dessa vez o resultado equino, além de estético e funcional impressiona numa bonita composição cenográfica, sem mencionar outros recursos poéticos que balançam pelas nossas cabeças, embalando-nos nessa viagem! Me prolongaria neste texto só falando dessa dramaturgia do Oficina sem cansar, mas nesse canto do bode não dá só para falar, tem que se viver e comungar desse teatro-vida que Zé Celso propõe.

Material de Divulgação- Página  Virtual do Oficina

É notório a influência do cinema nesta encenação, salve Glauber, Dani e Massumi, a perceber, logo de imediato, pela tabela de cores, na luz e no figurino. Nada é posto por acaso! As imagens são um desbunde para cineasta nenhum botar defeito, desde o recurso da tela transparente com sombras Salvadordaliences, à entradas e saídas de cenas fabulosas e simples, como a troca da personagem de Cacilda entre as atrizes Sylvia Prado e Camila Mota, num jogo-cordão-umbigo com uma fita vermelha; ao véu cauda negra engolido pelo subterrâneo de Perséfone, sem esquecer da gran entrada da Dama das Camélias.  UAU!!! Meu Deus!!!

Outro momento marcante, e sem duvida, emocionante, é o fim do primeiro ato que imediatamente me trouxe outra memória.

Em 1997-1998 participei das oficinas e montagem do trabalho: O ASSASSINATO DO ANÃO DO CARALHO GRANDE, texto do saudoso Plínio Marcos, dirigido pelo querido Marco Antônio Rodrigues, num projeto da Oficina Cultural Oswald de Andrade.  

Material de Divulgação- Acervo pessoal
Esse trabalho percorreu festivais de teatro e cidades do interior em SP, ganhando vários prêmios, incluindo o Premio Mambembe de Melhor Espetáculo e Direção em 97, coincidentemente, Zé Celso estava em cartaz também e ganhou o Mambembe de Melhor ator pelo espetáculo “Ela”. O Anão mudou definitivamente a minha trajetória como trabalhador das artes da cena e minhas loucuras pelo teatro e ainda é muito especial para muita gente! Em pleno século XX o Anão fora censurado, e justamente na cidade de Plínio, em Santos, quando iriamos apresentar. Imagine toda a história de Plinio Marcos e ainda em 98 sendo censurado na sua própria cidade! Diante do impasse, conseguimos apresentar o trabalho no Teatro Municipal de Santos!

Eram trinta e seis atores em cena contando a história da cidade e do circo Atlas numa farsa musical cheia de cor e formas, com banda ao vivo, globo da morte, trapézio e um caixão de madeira mega pesado que eu carregava   em cena junto aos colegas atores- nunca vou esquecer!  Nesse dia ao fim do primeiro ato, assim como o primeiro de ato de Cacilda, ouviam-se os gritos da plateia de Bravo, Bravíssimo!! Foi inesquecível! No Anão eram eu e a atriz Rose Bispo os únicos baianos na trupe, e muitas idas e voltas para Conquista semanalmente num buzú para apresentar em SP.  Oh, Tempo bom! Quanta coragem, Benigno!

O Assassinato do Anão. Foto do acervo pessoal
Em Cacilda!!!!! naquele final de ato apoteótico pude me conectar imediatamente a este episódio e lembrar que a nossa historia fica gravada nos nossos extratos e vida muito mais que em livros, teses ou dissertações acadêmicas. Aliás, esta empreitada do Zé deveria ser vista por todos os estudantes acadêmicos de teatro do nosso país, pois onde se fala e cita muito, falta alma, calos, entrega e organicidade.

O trabalho do Oficina, que come antropofagicamente toda a tecnologia moderna é, sobretudo, um trabalho de ator. Esse estado de atuação que o Zé propõe, um estado de energia presente de corpo, da voz e da alma do cavalo, menos interpretativo, textocentrista ou declamatório, se faz forte, festivo e dramático como vê nesta odisseia cacildica, como eles dizem. A atuação trágica de Sylvia Prado como Cacilda Antígona é estarrecedora e coloca a plateia a indagar e congelar em êxtase brechtiano.  Oxe, e em Brecht tem êxtase?! Pra você ver....

Antígona é para mim um dos textos mais fortes e Zé, numa adaptação e criação moderna, faz da nossa mártir grega uma voz aos holocaustos contemporâneos, das vozes das mulheres antígones do nosso tempo. Indescritível!

   Joana Medeiros (Tônia Carrero) e Camila Mota (Cacilda Becker)
em Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada

Foto Cícero Bezerra. Página Virtual do Oficina
Nesse trabalho o elenco continua forte, sobretudo com a presença irretocável da atriz carioca convidada Joana Medeiros que faz a Tônia Carreiro, numa performance totalmente entregue, além de algumas caras novas que se aventuram na eira de ser um ator do Oficina, o que não é nada fácil e nem para qualquer ator!

Danielle Rosa, sem dúvida, é a revelação do Oficina nos últimos tempos! (Matéria no Portal R7 Danielle-rosa-o-furacao-sereno-do-teatro-oficina/),

Em todos os trabalhos, desde que estreou ( me desculpe se errar as datas) com Macumba Antropófaga, 2011-2012; Acordes, 2012-2013 e até Bacantes, 2012 na Bélgica e em Portugal, batizaram literalmente esta baiana no terreiro do Bixiga. É impossível tirar o olho dela em cena, pois incorpora este estado de encenação- interpretação do Oficina e sempre está plena, em tudo! O Oficina ganha uma atriz formada pela academia, mas calejada pelo trabalho de teatro de grupo no interior baiano! Na Odisseia de Cacilda impossível não citar sua aparição como sereia do TBC (Cacilda!!! Glória no TBC y 68 AquiAgora) e “Entre quatro paredes” (Cacilda!!!! A Fábrica de Cinema & Teatro) numa sequência de cena porradão de um teatro puro e bem feito num triângulo com Sylvia Prado e Glauber Amaral.

Dani Rosa em Cacilda!!! foto de Jennifer Glass e em Cacilda !!!!! foto de Diogo Souza

Agora em Cacilda!!!!! A Rainha Decapitada, Rosa continua solar e na pele de uma mãe consegue dar a carga exata, sem perder sua beleza e intensidade. Tony Reis, outro baiano querido e camaleônico, mostra suas facetas escrachadas e sérias com a mesma facilidade que troca de peruca ou aplique.


 Foto de Eduardo Oliva- créditos: @duoliva
Outro aspecto relevante, sobretudo para aqueles que pleiteiam seguir carreira no teatro, é perceber toda a coesão do trabalho de grupo do Oficina, que permite dar espaço para o outro em cada e/ou novo espetáculo.  Trabalho constante e difícil ao ego dos atores que estão acostumados a significar a cena apenas com bifes de textos. Na didática dramatúrgica do Zé, não há estrelas no Oficina, há focos e espaços para todos os dilatados e iluminados cavalos nesta arena transcendental, e seu metro, técnica e disciplina é cada um quem faz e zela, num ato-oração diário do hyporrites que sabe e conhece as facetas políticas e artísticas do seu ofício, além da ribalta e do foco.

Não poderia deixar de falar da trilha sonora, que nesse trabalho foi marcante. Cenas inteiras solfejadas numa música quase atonal entre o thelo de Massumi; a percussão inspirada de Carina Iglecias- que voz e beleza, menina; o piano acalentador de Guilano Ferrari, sem esquecer do Dj Jean Carlos e o cavaquinho da também atriz e cantora Letícia Coura. Desbunde surrealista mais uma vez! Viagem, catarse e reflexão.

Sylvia Prado em Cacilda!!!!!  Massumi e seu tchelo ao fundo
Foto da página virtual do Teatro Oficina
E por falar e catarse e reflexão, a cena de Antígona Cacilda e seu desfecho é o ápice desta encenação.

Em tempos contemporâneos onde o fazer teatral é cada vez mais desvalorizado e equivocado, o Teatro Oficina mantem a chave de produção acionada a mil, encenando e criando três trabalhos epopeicos até agora, no meio do ano, o que só pode ser um milagre frente a inúmeras dificuldades que enfrentamos. 
Num país onde ser artista é moda, celebridade ou motivo torpe para o ócio ou a nenhum trabalho de qualidade, a odisseia de Cacilda vem mostrar nesse século louco e midiático, a importância das memórias vivas, de conhecermos a nossa história e as contribuições daqueles, que de fato, fizeram algo pela arte e teatro no nosso país. 
Aliás, nosso país não é só São Paulo e Rio de Janeiro, como querem nos enfiar goela abaixo, é Nordeste, é Bahia, é Rio Grande do Sul; é o Imbuaça, é o Galpão, é a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, é Clowns de Shakespeare, é o Caçuá... todos reflexos teatrais espalhados pelo Brasil, e que em maior ou menor instancia, contribuem para a historia desse nosso teatro brasileiro, multicultural e miscigenado.

Material de Divulgação- Temporada Entre a Cruz... na Bahia´
Premio Jurema Pena- acervo Caçuá de Teatro
Um amigo artista perguntou-me, semana passada, pelas redes sociais, o que era arte libertária para mim, sem pensar e pestanejar respondi-postei: é a Odisseia sobre Cacilda Becker no Teatro Oficina em São Paulo, sem dúvidas! E acrescentaria : por tudo que representa para o teatro brasileiro de ontem, hoje e sempre.

Espero ainda como sátiro catingueiro perdido-achado nesta terra Sampã poder ainda comungar do banquete que o Oficina e o Zé propõem para religar as minhas origens teatrais e renascer nesse palco sagrado cibernético.

É urgente que todos vejam este trabalho que fica em cartaz, até setembro, aos sábados e domingos, ás 19h e conferir aos olhos vivos como ele comunga com todas as gerações e idades, dentro e fora da caixa, na festa e no ritual, no drama e na hashtag da mídia on line, mostrando a força de uma arte que só se faz viva e presente no corpo, na alma, no sangue E NA MEMÓRIA de quem está e quer ficar vivo-  nesse ano já foram tantos embora... 
Trazer a história para a cena e para esta nova geração conhecer o que foi feito é um compromisso enorme, pois em terra de beijinho no ombro, google e celebridades oportunistas e burras, quem fez e ainda faz história é rei e rainha, e nunca serão decapitados!

Ter o prazer de compartilhar e religar com obras e trabalhos como este, faz-se necessário para a vida, como elixir para o nosso tempo caduco, egoísta, capital e cabedal.

Bravo, bravíssimo!!!!!
Evoé e merda sempre, Oficina!
Evoé Dani Rosa, Massumi, Tony Reis, Beto Mettig, baianos conterrâneos!
Saravá e Laroyê, Zé Celso!!!

Andemos!!

Marcelo Benigno, agosto de 2014, mês de aniversário do Caçuá!

    Opo Baba N’lawa, replica da escultura de Mestre Didi 
no Rio Vermelho em Salvador-BA
Foto: M.A.Luz  

Eu e o inseparável amigo Victor Gally, em Cacilda!!!- Novembro de 2013.