segunda-feira, 13 de julho de 2026
DRAMATURGIA CAATINGUEIRA: O ator, diretor do Grupo Caçuá de Teatro e dramaturgo conquistense Marcelo Benigno é um dos 40 selecionados para o Circulo de Dramaturgias do CPT em São Paulo.
O ator, diretor do Grupo Caçuá de Teatro e dramaturgo conquistense Marcelo
Benigno é um dos 40 selecionados para o Circulo de Dramaturgias do CPT em São
Paulo. Inspirada no Círculo de Dramaturgia, criado em 1999 pelo diretor teatral
Antunes Filho, a nova edição do projeto contará com a formação e mentoria de
Alexandre Dal Farra, Angela Ribeiro, Ave Terrena e Jhonny Salaberg, artistas de
destaque no campo da escrita dramatúrgica contemporânea.
O percurso formativo visa oferecer um espaço de desenvolvimento,
investigação e troca de conhecimento entre pessoas interessadas em desenvolverem
suas escritas cênicas. O curso de longa duração que acontece na icônica sede do CPT no SESC Consolação será composto por estudos de
teorias, atividades práticas de escrita, orientações em grupo e individuais, que
visam estimular a experimentação artística e o fortalecimento de redes criativas
no campo das artes cênicas. Ao final da formação, serão realizadas aberturas de
processos ao público. Benigno que na seleção para o curso, com quase 200 inscritos, escreveu um texto em cordel reafirma a importância de ocupar os
espaços com a cultura popular e outras formas de dramaturgia dirigidas,
sobretudo, para outros públicos e formatos.
O curso começou com as intervenções poéticas e provocadoras de Jhonny Salaberg.
Benigno (foto) em jogo num dos exercícios da primeira semana do curso no final
de junho. Jhony Salaberg que também é ator estará em cartaz em Salvador
comemorando 15 anos do espetáculo, “Namíbia, não!” sob direção de Lázaro Ramos.
A peça é baseada no livro ganhador do Prêmio Jabuti que inspirou também o filme
Medida Provisória. Única apresentação no dia 31 DE JULHO, sexta-feira - 20h no
Teatro SESC Casa do Comércio.
Enquanto isso, Benigno se dedica as vivências do Círculo de Dramaturgias que vão até dezembro, aos preparativos das comemorações dos 30 anos do Grupo Caçuá de Teatro em Conquista, além das Desmontagens do seu Doutorado em Artes Cênicas sob a orientação do Prof. Dr. Wellington Menegaz que fará em Uberlândia e Londrina, intitulado: “Três, três passará, derradeiro ficará – O Professor Brincante, o Drama e a Cartografia – Metodologias de ensino para transformar a aula e alegrar o dia a dia!” Mas isso já é tema e pauta para uma outra história.
Sobre os (as) Artistas Orientadores (as) do Círculo de Dramaturgias do CPT 2026:
Alexandre Dal Farra: doutor pela ECA/USP, é roteirista, diretor e dramaturgo, autor de 27 peças teatrais e diretor de 14 delas, além de vencedor e indicado aos principais prêmios brasileiros. Escreveu e dirigiu seu primeiro curta-metragem Boca Dura, exibido em festivais no Brasil e no exterior. Seu novo livro, O Transe em Nós, está em revisão pela Editora n-1.
Angela Ribeiro: atriz e dramaturga paraense formada pela EAD/USP, pelo CPT Sesc e em dramaturgia pelo SESI British Council. Vencedora do Prêmio Shell de Teatro em 2018 pelo texto Refluxo. Possui uma carreira no cinema, integrando o elenco de produções como Ainda Estou Aqui, Pssica, José e Durval, Escola sem Muros, Biônicos, Cyclone e Raquel 1:1.
Ave Terrena: é dramaturga, poeta, diretora, performer e orientadora na ELT de Santo André. Integrante do grupo LABTD e da House of Hands Up (SP) formou-se em Letras pela USP e pelo Núcleo de Dramaturgia SESI British Council. Entre suas principais obras estão As 3 Uiaras de SP City, Fracassadas BR, Lugar da Chuva e Cartas de uma Travesti Brasileña.
Jhonny Salaberg: dramaturgo, ator formado pela ELT de Santo André e membro fundador do coletivo O Bonde. Autor de diversas peças, dentre elas Mato Cheio e Buraquinhos ou O Vento é Inimigo do Picumã com a qual venceu sete categorias nas principais premiações teatrais do país. Conquistou a IV Mostra de Dramaturgia em Pequenos Formatos Cênicos do CCSP.
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
QUEM MATOU PADRE PINTO? OU PEDI PRA PARAR, PAROU! As 14 estações da Via-crúcis do espetáculo baiano em Essipê
QUEM MATOU PADRE PINTO? OU PEDI PRA PARAR, PAROU!
As 14 estações da Via-crúcis do espetáculo baiano em Essipê
Fui assistir ao espetáculo teatral: “Padre Pinto – a narrativa (re)inventada” protagonizado pelo brilhante ator baiano Ricardo Bittencourt, com dramaturgia e direção do meu querido e eterno professor Luiz Marfuz, nessa semana no Sesc Pompeia em São Paulo e sai com algumas reflexões.
O espetáculo é bonito, colorido, alegre, tecnicamente amparado, com cenas marcantes e emocionantes (como a quebra da quarta parede em que o ator pede licença para emprestar o seu cavalo para interpretar o protagonista. De arrepiar! Xocotô Berulô) ainda mais para um baiano como eu, que conheci o personagem real e a Lapinha, mas se torna em alguns momentos politicamente correto.
Ao procurar na internet sobre o trabalho vemos como os veículos de comunicação e criticas começam falando dele: “Após se vestir de Oxum – orixá feminino do candomblé para celebrar uma missa e dançar dentro da igreja em 2006, Padre Pinto (1947 – 2019) atrai a ira dos conservadores e a atenção da mídia nacional....” Não, Padre Pinto não foi só isso e quem é baiano ou soteropolitano sabe muito bem.
1ª Estação: Ator convidado é condenado
Essa necessidade de resumir a trajetória de alguém na intenção de diminuí-la é tão peculiar e colonialista como o modismo (ou o mercado) de convidar atores televisivos para elencos de peças de teatro. Ano passado, Reynaldo Gianecchini ao estrear o Musical "Priscilla, a Rainha do Deserto" não deu conta do recado. Foi corajoso ao comprometer sua fama de galã e se jogou, mas fazer uma drag queen não é pra qualquer um(a).
Afinal, vamos assistir a uma peça ou Musical só para ver o tal ator/ atriz televisivo?
Em Padre Pinto Sergio Marone cai na mesma armadilha que Gianecchini. Duro em cena, voz extremamente impostada, não veste a roupa da personagem. Marfuz, o diretor, tinha que ter levado Marone para fazer laboratório de pelo um mês em Salvador para ele entender do que a peça fala. Ir à Lapinha, ao Cortejo Afro, passar no Ancora do Marujo na Carlos Gomes ou nos antigos bares da Ladeira da Montanha para o ator soltar um pouco esse quadril. Teatro não é televisão, assim como Oxum não é Nossa Senhora da Guia!
2ª Estação: Ricardo Bittencourt carrega o espetáculo
Ricardo incorpora o Padre Pinto, literalmente. Brilhante trabalho de ator que merece prêmios nesse ano, seguido pelo seu Canjerê interpretado magnificamente pelo ator Victor Rosa, que joga e se amálgama o tempo todo com Ricardo, que é um monstro sagrado/profano do teatro. (Difícil missão, mas ele consegue). Outros destaques são as baianas Agatha Matos, sempre exuberante como legitima baiana conhecedora do chão que pisa; Rita Brandi, numa entrega total e com toda sua baianidade real traz força ao elenco de atores baianos, que credita originalidade ao trabalho e ao elenco do Oficina. Do Oficina a surpresa foi o ator Gabriel Frossard que se transmuta em tantos personagens e nuances para um jovem ator. Sylvia Prado e Mariano Matos já são cobras criadas do Uzyna Uzona e deixam seus rastos como Oxumarê por onde passam, exibindo maestria e refinamento em suas construções, assim como o baiano Tony Reis, que poderia estar mais baiano que nunca, né, painho?!
4ª Estação: O espetáculo encontra a sua Mãe
A parte técnica do trabalho é impecável! Figurinos, luz, cenografia, trilha sonora, projeções, vídeo. Com essa mãe abraçando o filho, com todo esse aparato e amor, não é difícil fazer um trabalho que não cresça os olhos da plateia. Poderia ser um monólogo com Ricardo, pois ele sozinho não precisa de todos esses recursos! O teatro é a arte do ator, não esqueçam!
O coração na cenografia é lindo e se transforma numa cena forte.
Em alguns momentos os vídeos parecem uma campanha do Governo do Estado da Bahia para visitar Salvador, aliás, a Bahia não é só Salvador, a Bahia é composta por 417 Municípios divididos em 28 territórios de identidade. A Regionalização Territórios de Identidade foi adotada pela Secretaria de Planejamento do Estado da Bahia (SEPLAN) através da Lei nº 10.705, de 14 de novembro de 2007, quando lançou o Plano Plurianual 2008-2011, e contava à época com 26 Territórios de Identidade que abarcavam os 417 municípios. (SEI – Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia: Estado da Bahia.). Então, muita calma nessa hora em achar que na Bahia só é festa, litoral, axé e Carnaval.. Opaió?!
E nessa Identidade Cultural que é muitas vezes desconhecida é que mora a força de uma Cultura Popular, que está lá na Lapinha, onde o Padre Pinto revitalizou a Festa de Reis. Momentos lindos da montagem que pega ponga na cultura popular. Quais manifestações da Cultura Popular esse público ou elenco conhece e as tem no seu corpo/arte/discurso?!
O tom politicamente correto do espetáculo incomoda. O próprio Zé Celso se estivesse por aqui falaria para Marfuz: - Marfuz, tá muito careta! Padre Pinto era transgressão política, não só fechação! Pois Zé!
Na cena final onde o Emissário é encurralado pelo elenco, por exemplo, deveria ser é devorado como as Bacantes fizeram com Caetano, mas talvez as cláusulas do ator televisivo não permitam e nem ele também. Saudades de Eduardo Pelizzari que quando passou pelo Oficina escancarou em talento se desnudando de corpo e alma.
14ª Estação: Padre Pinto é Sepultado e o rebobinar da peça real
Ao final do segundo ato depois de todo mundo rir a morrer de uma tragédia real, o Padre é morto. Morto. Daquela forma. Daquele jeito. Morto. Quem matou Padre Pinto? A Igreja Católica? O Vaticano? O Emissário? O grupo de fiéis conservadores? Eu, você, nós?!
Por mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa, o Padre “ressuscita” no final da peça. Padre Pinto não “ressuscitaria” no rebobinar da fita falando que não seria esquecido, ele pediria justiça, evocaria Xangô para que sua memória fosse um alerta e não só uma lembrança festiva.
Marfuz tenta em alguns momentos fazer algum questionamento político, como na cena inspirada no espetáculo: “Cuida Bem de Mim”, (1996) de sua autoria junto a Filinto Coelho, que ele dirigiu no Liceu de Artes e Ofícios, em Salvador, onde discutia direitos com jovens estudantes numa escola pública, onde o elenco grita palavras e diretos de ordem.
Após o intervalo, o espetáculo poderia enfatizar mais sobre essa morte tão violenta que tantos ainda hoje sofrem.
As pessoas confundem o poder da festa, da alegria e do Brincante. Trabalho com isso vivo disso, e Padre Pinto é só um exemplo da sociedade em que estamos inseridos. Claro, que na Bahia é diferente. Não é uma peça de Teatro Documental e autobiográfico da Janaina Leite.
A responsabilidade da Produção agora é levar esse trabalho para Salvador, pois tem o dever ético de ser apresentado lá, e de preferencia de graça pro povo da Lapinha ver!
A arte não é um espelho para refletir o mundo, mas um martelo para forjá-lo. Vladimir Maiakóvski.
Sem panem et circenses!
Viva o Padre Pinto!
Saudades dele e do Zé.
A peça continua em cartaz até o dia 23 de fevereiro de 2025
De quinta a sábado às 20h.
Domingos e feriados às 17h.
Vale a pena conferir!
PS: Os créditos das fotografias que estão nesta postagem são de Luis Ushirobira @lushirobira.
A Via Sacra, também conhecida como Via Crucis, é uma prática cristã especialmente comum durante a Quaresma que recria o caminho que Jesus percorreu carregando a Cruz desde o Pretório de Pilatos até o Calvário, onde foi crucificado. Essa jornada é marcada por estações que representam eventos significativos desse percurso, convidando os fiéis a refletir sobre o sofrimento e a redenção através da paixão de Cristo. A Via Sacra é composta por 14 estações, cada uma representando um episódio específico da paixão de Cristo. Essas estações incluem passagens bíblicas, tradições da Igreja e elementos simbólicos que ajudam os fiéis a meditar sobre o significado da morte e ressurreição de Jesus
As outras estações da Via Sacra só saberá quem for ao espetaculo e conseguir a redenção dos seus pecados. Amém!
segunda-feira, 8 de abril de 2024
Quantos muros teremos que destruir para ainda sermos vistos??!
Foto´Amanada Barreto
Fui ver pela segunda vez o espetáculo: “A Fuzarca dos Descalços” do Coletivo dos
Anjos, da cidade de Jandira-Sp. Fuzaca sem o "r" é um termo muito usado na
cultura popular para se referir a festa, festejo, folia, alegria e celebração.
Mas estar na folia descalço, com os pés no chão, principalmente se for na lama,
grama, mato ou barro, deve se ter todo o cuidado para não levar uma “topada” e
machucar o pé ou saber andar descalço e pisar ou sambar muito bem nesse chão de
barro tendo muita
experiência nessas bandas para usar um termo da moda agora. A peça conta com
uma super trupe por trás desse trabalho, mas antes de falar desse grupo só
queria perguntar uma coisa: Quantos muros ainda terremos que destruir para
sermos vistos mesmos sendo lindos, potentes, negros e interioranos??! Fiquei
abismado pelo espetáculo não ter sido indicado em nenhuma categoria para o
Prêmio Shell de Teatro. Falo isso porque no ano de 1997 em São Paulo, o grupo
que eu estava participando ganhou dois Prêmios Mambembes de Teatro: de Melhor
Espetáculo e Melhor Direção numa peça com 40 atores e atrizes no elenco e que
com esse prêmio possibilitou muitas coisas, como por exemplo, que viajássemos
pelo interior paulista, inclusive, indo apresentar na terra do dramaturgo do
texto, Plinio Marcos, em Santos e sendo censurados. Um prêmio ou uma indicação
implementa muitas coisas! Meu grupo de Teatro do interior da Bahia fez 25 anos
o ano passado e já conquistou alguns prêmios e editais numa briga eterna briga entre o artista da capital e do interior e parece que isso acontece aqui na
grande metrópole paulista também. Criamos até o MOVAI!
https://movimentomovai.blogspot.com/2011/03/o-que-e-o-movai.html Acho que
essas questões devem ser pautadas, além da inegável qualidade desse trabalho
emocionante. Um “Esperando Godot” discutindo questões pretas com tanta poesia
e lâmina é inacreditável! Sou e gosto de um teatro das antigas, daqueles com
uma boa mensagem, além dos virtuosismos e efeitos especiais. São Paulo está
cheio de espetáculos com seus respectivos públicos cada vez mais chatos e
exigentes. Tem até gente que diz que não existe “teatro popular” aquele o qual
acredito e faço. O Sudeste acha que só ele que faz teatro e arte no Brasil! Em
Fuzarca dos Descalços o texto afiado do premiado dramaturgo Victor Nóvoa nos
chacoalha com uma inteligência quase clownesca estampada na mensagem, na cara
e o riso angustiado de não querer entender tantas verdades ditas na nossa cara
como um clown. Isso é uma maestria do trabalho! Salloma e Éder são dois
Augustos e Brancos e o erê de Éder pula várias vezes em cena! Salloma tem
beleza, medo e mistério de um Caboclo de lança do Maracatu Rural. A cenografia
funcional e a sonoplastia como outro personagem completa a obra. Queria não
ter entendido o choro daquela cuica tocada por Ito (eu acho). Sou de terreiro
e de escola de samba,não tem para onde fugir! E a mão de Aysha Nascimento na
direção artística como uma Iansâ Onira se vê em vários momentos. É um trabalho
para uma mulher dirigir, uma mulher preta. Esse elenco quase todo preto ou
todo preto não fez diferença ao Prêmio Shell num dos melhores espetáculos do
ano, ganhador de vários editais de circulação e não cobrando nada para se
assistir o espetáculo, é bom que se diga, mas que mesmo assim precisa quebrar
muitos muros para ser visto ou criar seu próprio prêmio como algumas
instituições fazem para premiar os seus coligados.
Que Exu traga a estrada para esse trabalho tão necessário e que precisa ser visto por
muita gente ainda e Xangô, justiça!
Serviço O Espetáculo terminou uma temporada no CCSP e
na Oficina Cultura Oswald de Andrade Em maio terá uma circulação e pelo Proac
Com 6 apresentações 2 na periferia da capital e 4 nas cidades do entorno
Osasco Francisco Morato Barueri Imperdível! Fiquem ligados!
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