quarta-feira, 1 de abril de 2009

O MUNDO FANTÁSTICO DO TEATRO E SEUS PROBLEMAS

Meu povo!

Estou um pouco afastado do blog, pois estou decidindo sober a minha matrícula no Mestrado, que contarei para vcs em detalhes deste martírio.

ASSIM, COPIO ABAIXO, A SAGA QUE A FINOS TRAPOS PASSOU COM O CANCELAMENTO DE SUA TEMPORADA NO TEATRO XISTO BAHIA POR PROBELMAS "TÉCNICOS" DO TEATRO??!!

QUANDO O ARTISTA FALA E QUESTIONA ELE ESTA TENTANDO MELHORAR AS COISAS NÃO SÓ PARA ELE, MAS PARA TODOS QUE USUFRUIRÃO DISSO!

OS TEXTOS SÃO DEPOIMENTOS DE POLI E CHICO.
VALE A PENA CONFERIR!
FORÇA MENINOS!

LINK ORIGINAL DOS TEXTOS NO TÍTULO ACIMA

Segunda-feira, 30 de Março de 2009

“Não sou eu quem repete essa história, ESSA história é que adora uma repetição...” por POLIANA NUNES

Semana passada publiquei aqui no blog um artigo falando do episódio ocorrido no Teatro Xisto no fim de semana de apresentação do espetáculo "Sagrada Folia" que integrava a programação do "Marco do Teatro e do Circo". Pois bem, se as probabilidades estatísticas afirmam que "um raio não cai duas vezes em um mesmo lugar", vejamos o que nos narra a minha grande amiga e colega de profissão Poliana Nunes, atriz, produtora, e como eu membro do Grupo de Teatro Finos Trapos:

“Não sou eu quem repete essa história, ESSA história é que adora uma repetição...”

Pois é! Não sou eu, são os “outros”, eu ao contrário faço os meus esforços, eu e os meus companheiros de labuta, de ideologia, de palco, de atuação dentro e fora do espaço dito cênico, pois nossa luta constante se constitui principalmente fora da “cena” para que justamente possamos concretizar nossas ações dentro da “cena”.FOMOS IMPEDIDOS!

Pela segunda vez, por duas semanas seguidas, sentimentos de angústia e decepção tomaram conta dos integrantes do Grupo de Teatro Finos Trapos. Dani, Daisy, Chico, Yoshi, Frank, Roberto, Shirley, Ricardo, Évelin, Ian e Eu, estamos assim, desajustados, tentando entender, procurando responder às questões que nós mesmos fazemos uns aos outros. Por quê?

Estamos findando o mês de março, mês em que comemoramos o dia do teatro e do circo, mês em que de certa maneira, nós, artistas, estamos mais abertos, e porque não, mais conscientes, ativos, participativos dos debates, das rodas de conversa, em meio à “conflitos” que ano a ano explodem em meio às datas comemorativas mais importantes para nós, pois paralelo ao fato de comemorar, também reavivamos a nossa vocação de guerreiros, sindicalistas, lutadores sociais, defensores de causas, partidários da nossa arte.

Para a Finos Trapos, esse março de 2009 vai entrar para a história, em quase seis anos de trabalho de Grupo, mais de uma década de trabalho de muitos dos membros que integram o Grupo, que vivem, ou tentam viver, de teatro, foi a primeira vez em que o espetáculo simplesmente não aconteceu, contrariando o verso da música, “o espetáculo não pode parar”, o nosso público não está nem cansado de esperar, está cansado de justificativas, de coincidências infelizes.

A primeira edição do FINOREPERTÓRIO, ação que integra o Projeto Finos Trapos Abrigo e Morada, Projeto de Residência Artística do Grupo no Espaço Xisto Bahia, fracassou. Essa é de fato uma palavra forte, negativa, pesada, mas no momento, pra mim, não há outra para definir. Falo como produtora da ação, como um dos membros responsáveis em fazer a ação acontecer, fracassou, não deu certo. Pra consolo resta dizer: fica para uma próxima edição.
Que vergonha, que lástima, que tristeza. Estou indignada, mediante a falta de ação de muitos, mediante a atitudes covardes e passivas. É definitivamente um absurdo ouvir de uma instância de administração de um espaço público, pertencente ao Estado, que uma casa de espetáculos fecha as suas portas em pleno final de semana em virtude de uma greve de funcionários terceirizados, mediante uma ameaça de piquete por parte destes, objetivando impedir uma Instituição de funcionar, Instituição esta que não “precisa necessariamente” destes funcionários para poder funcionar, a prova mais explícita disso, está na realização de espetáculos nessa mesma casa nos dias de quinta e sexta-feira antecedentes ao fato, e também mediante ao funcionamento normal da outra casa de espetáculos, também pertencente ao Estado, também guardada por esta mesma classe de trabalhadores que se encontram em movimento grevista.
O que seria isso? O que explica? O que justifica isso?

Na semana passada, dias 21 e 22 de março, a programação do Espaço Xisto foi interrompida mediante uma danificação do aparelho de ar-condicionado que refrigera todo o Complexo dos Barris, Teatro, Biblioteca, Salas de Cinema e Galeria de Arte.
O problema não pode ser resolvido a tempo, as edições do espetáculo Sagrada Folia foram canceladas, bem como a edição de um outro espetáculo que se realizaria no domingo pela manhã. No sábado, dia em que o problema foi detectado, o espetáculo da tarde, o infantil DIA DE CIRCO do Grupo VIAPALCO, foi realizado sem a refrigeração necessária, pois o público já estava presente na casa quando foi avaliado que o problema não tinha como ser resolvido naquele dia, no domingo este mesmo Grupo, cobriu a pauta do dia com a realização de um outro espetáculo, um monólogo, onde acredito que utilizasse um número menor de refletores para a execução das cenas, visto que a grande questão do impedimento da realização dos espetáculos ocorreu por conta de que a refrigeração do espaço é condição fundamental para o uso do equipamento de iluminação que proporciona altas temperaturas no espaço, necessitando assim do uso do ar-condicionado.

Uma questão técnica!

Assim entendemos o problema apesar de aproveitarmos tal ocorrido, para criticarmos o sucateamento dos espaços públicos, a falta de manutenção, o descaso. Que o diga o artigo do amigo Chico, publicado semana passada em seu blog pessoal, artigo o qual assino embaixo.

É sabido que o Espaço Xisto, e dizemos isso não só por que convivemos no espaço há pouco mais de seis meses como Grupo Residente, mas também como público que o freqüenta, necessita de algumas intervenções físicas, de uma reforma, de ajustes para que possa oferecer condições de trabalho mais justas para os profissionais que atuam naquela casa.

Naquele sábado voltamos para casa, apesar de desajustados, estávamos cientes de que aquela era uma providência administrativa, “correta” para a ocasião, que acarretou prejuízos para nós, para as outras apresentações agendadas, mas que não tínhamos como colocar em risco, o bem-estar físico do nosso público, a nossa integridade física também, que estaríamos ali trabalhando, naquilo que a gente mais gosta de fazer, sendo felizes e fazendo muita gente feliz. Passou!

A semana começou e retornamos ao trabalho, às aulas, às nossas atividades cotidianas que correspondiam também ao fato de divulgar o reajuste das datas, de informar ao público que no próximo final de semana realizaríamos no sábado uma edição do espetáculo SAGRADA FOLIA e no domingo, uma edição do espetáculo AUTO DA GAMELA.

Estávamos felizes, pois encontramos uma forma de contemplar o FINOREPERTÓRIO mesmo mediante ao ocorrido no fim de semana, mesmo os espetáculos realizando apenas uma edição cada um ao invés de duas como fora planejado. E seguimos a semana gastando dedos e saliva, divulgando via internet e no boca a boca, usando e abusando do nosso discurso de “vendedores” da nossa arte.

Hoje, ou melhor, sábado e domingo, tem espetáculo??? Tem sim senhor!!!
O Grupo e a produção entenderam da melhor maneira possível, que problemas técnicos de toda natureza acontecem, na hora que tem que acontecer e que nem sempre é confortável para todo mundo, como não foi para nós não poder realizar SAGRADA FOLIA naquele sábado e domingo.

Mas... Mais uma vez, FOMOS IMPEDIDOS!

Pelo motivo já citado acima, e por esse motivo, e justamente por ter acontecido o que aconteceu nos dias 21 e 22, entendemos que essa Instituição não podia de jeito nenhum, ter nos impedido de trabalhar neste fim de semana, e por isso, entendo tal atitude como covarde, como falta de interesse em buscar outras maneiras para resolver o já referido problema, como solução confortável, não-polêmica e “justa” se é que podemos assim classificar, para apenas uma das partes.

Não aceito!
Repudio tal atitude, taco ovos e tomates, profiro vaias, derramo lágrimas de decepção e revolta.

Classifico isso como a mais completa falta de respeito para com os artistas, não só os envolvidos, não só com os integrantes do Grupo Finos Trapos e do Grupo Via Palco, mas desrespeito a uma classe de trabalhadores que luta constantemente por espaço, por condições decentes de trabalho, por valorização da profissão, por mercado, por tantas outras reivindicações.

Estou cansada de aceitar, de ser conivente com atitudes como essas! Exijo respeito, diálogo para resolver questões dessa natureza, a Administração do Espaço Xisto Bahia sabia o que implicava o impedimento de mais duas edições do FINOREPERTÓRIO, não consultou o Grupo para juntos tomarmos uma decisão que fosse justa, simplesmente informou-nos o ocorrido afirmando que se tratava de uma decisão de uma instância maior, da Fundação Cultural do Estado da Bahia, órgão que administra o referido espaço, órgão que também administra o Teatro Castro Alves que NÃO fechou as suas portas nos dias 28 e 29 de março em virtude de uma greve de vigilantes.

Eu quero uma justificativa para essa questão!
Plausível, aberta, e lógica!

Como membro do Grupo de Teatro Finos Trapos, como artista de teatro, faço dessas linhas um desabafo, uma respiração. Preciso de motivos para continuar acreditando que vale a pena ser artista nessa cidade, tantas vezes vendida às vaidades e promoções pessoais, tantas vezes refém de uma falta de tato absurda, de uma total falta de compreensão e de democracia cultural.


Será se esta existe?
Tenho muitas dúvidas...


Acho que fico por aqui, estou disposta a ouvir agora, é assim que se concorda com os coletivos, que se vive em coletivo, com as opiniões e expressões de muitos.


Só sei que não me rendo!


Polis Nunes – Atriz, Licenciada em Artes Cênicas e Graduanda em Produção em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal da Bahia, sócia fundadora do Grupo de Teatro Finos Trapos, Grupo Residente do Espaço Xisto Bahia – FUNCEB.

pnunesproducao@gmail.com

Terça-feira, 24 de Março de 2009

“Quando as Máquinas param” ou “O espetáculo tem que continuar”?


Março é um mês especial na vida de alguns artistas, pois neste período se comemoram o Dia Internacional do Teatro e o Dia Nacional do Circo. Digo “especial” não apenas por ser uma efeméride comemorativa, mas também por ser mais um momento oportuno para podermos nos deleitar com festejos e reflexões sobre esses ofícios. Não obstante a tudo isso, no último dia 21 de março, eu e meu grupo de Teatro vivenciamos um episódio, no mínimo intrigante.
È sabido por todos que conhecem ou acompanham o trabalho do grupo Finos Trapos que estamos em cartaz com o Fino Repertório no Teatro Xisto Bahia participando da programação oficial do “Marco do Teatro e do Circo”, um dos eventos onde artistas baianos e soteropolitanos celebram as datas aqui citadas. Organizado pela Fundação Cultural do estado em parceria com os grupos teatrais das cidades participantes, desde a sua primeira edição oficial (2008) tornou-se um dos momentos de maior efervescência cultural na capital e no interior. Durante todo o mês teatros, ruas e praças das cidades abrigam inúmeros espetáculos, oficinas e palestras demonstrando o potencial artístico da nossa região comemorando com muito trabalho essa passagem. Inúmeros grupos que durante o resto do ano realizam seus trabalhos isoladamente nos recantos, guetos e periferias das cidades, emergindo apenas de vez em quando aos olhos da mídia e da maioria da população, levantam pouso rumo a uma pequena, porém importante valorização do seu labor. Alguns até se beneficiam dessa divulgação em massa para conseguir tornar mais rentável suas temporadas, já que divulgação é uma das etapas mais caras e importantes na construção de um espetáculo.

Por isso: “Viva Teatro, Viva o Circo”!... Uma pausa para reflexão.

Enquanto realizávamos o ensaio geral do nosso espetáculo SAGRADA FOLIA, poucas horas antes de adentrarmos o palco para organizar o cenário e executarmos os últimos detalhes da apresentação que seria realizada às 20 horas, a diretora do teatro Xisto Bahia nos foi porta-voz de uma noticia muito ruim: Todos os espetáculos daquele fim de semana deveriam ser suspensos como medida de segurança devido a problemas técnicos daquela casa de espetáculos.
O ar condicionado, responsável também para refrigerar o equipamento de luz do teatro, havia se danificado minutos antes da apresentação do espetáculo que antecederia o nosso. Segundo o parecer dos técnicos daquela casa, permitir a realização do espetáculo dentro daquelas condições, além de desconforto causariam riscos à platéia e aos profissionais ali presentes.

Durante alguns instantes todos do grupo ficamos estáticos, boquiabertos, atônitos. Afinal era a primeira vez que o Grupo Finos Trapos deixaria de apresentar um de seus espetáculos. Depois de algum tempo, procuramos junto à diretora e os técnicos encontrar um consenso sobre qual solução seria mais viável. Por fim, concordamos que isso seria o mais coerente, pois nenhuma pessoa sensata, por mais aficionado que seja pelo que faz, jamais poderia se opor a uma medida de segurança quando existe risco eminente de incêndio ou acidente.

O que me deixou perplexo e indignado nesse episódio fatídico não foi a solução encontrada para o problema, pois suspender o espetáculo não era medida desejada por nenhuma das partes envolvidas na questão, mas o mais sensato a se fazer. O que me deixou insatisfeito e angustiado foi o próprio problema: o aparente descaso com a infra-estrutura dos equipamentos públicos. Fosse a um outro período qualquer, creio que a revolta de todos os artistas envolvidos naquela situação nem seria tanta. Mas isso ocorrer em um evento em que somos convidados a celebrar o nosso oficio, e o procuramos fazer da melhor maneira possível, isso era humilhante.

Afinal, de quem seria a responsabilidade pela manutenção daquela casa de espetáculos? Da empresa prestadora de serviços? Da Fundação Cultural que administra o espaço? Do Estado?

Ora, temos que admitir: acidentes acontecem. E se eles acontecem, poderia acontecer em qualquer momento, com qualquer outra pessoa, seja artista ou não. Mas já que estamos falando de “dia do teatro, dia do circo”, enquanto artista e cidadão não posso me curvar diante de uma justificativa que poderia até resolver esse problema isolado se este não estivesse conectado com inúmeros outros que nos deparamos diversas vezes em nosso percurso formativo e trajetória profissional: preconceito, marginalização; escassez de financiamento privado ou apoio institucional; dependência de editais públicos; burocracia e ineficácia das políticas públicas de incentivo à cultura e a exigência de inúmeras contrapartidas sociais para o financiamento; sucateamento dos espaços culturais; dupla jornada de trabalho, conciliação com uma segunda profissão ou fuga para outras áreas como saída para a falta de estabilidade financeira dos artistas; concorrência desleal com televisão e o cinema; pouca valorização do teatro enquanto produto turístico economicamente rentável; pouca valorização da Arte enquanto currículo especifico na educação básica e enquanto conhecimento cientifico; dentre tantos outros...

Nós artistas de Teatro há aproximadamente 2.408 (dois mil quatrocentos e oito) anos, e isso apenas considerando a tradição comprovada do Teatro OCIDENTAL, somos chamados à labuta. Porque... “O espetáculo não pode parar”. Mas como realizar essa tarefa, considerada por muitos um sacerdócio, “quando as máquinas param”?
Como? Se além de ar condicionado para refrigerar equipamentos dependemos de uma outra máquina muito mais complexa: a máquina institucional, vulgo Estado ou qualquer outro mecenas? Até quando teremos que migrar para outros grandes centros,senão para outras áreas, para pleitear trabalho dignamente remunerado e cumprir esse “mandamento teatral”?

O episódio ocorrido no Xisto com a Finos Trapos e o grupo Via Palco serve apenas de alerta para continuarmos lutando pelos nossos direitos e espaço. Em nosso cenário atual, há muitas outras coisas além de um “ar condicionado danificado” para se refletir. Recentemente, por exemplo, ouvimos burburinhos e/ou boatos anunciando que esse ano seria a ultima edição do PRÊMIO BRASKEM DE TEATRO, único evento de grande porte que coroa anualmente os profissionais de destaque nas Artes Cênicas da capital baiana.
Na II Conferência Estadual de Cultura realizada em Feira de Santana em 2007, As Artes Cênicas, mais especificamente o Teatro, foram eleitas PRIMEIRA PRIORIDADE dos Territórios de Identidade cultural, o que possibilita ao Estado Constituído perceber a importância do Teatro para nossa cultura, respaldando ainda mais as nossas reivindicações...

Depois de tantas questões efervescentes e polêmicas, devo esclarecer que não quero e nem devo com isso depor contra ou apontar deméritos de eventos como o “Marco do Teatro e Circo” organizado pela Funceb e grupos teatrais independentes, o "Viva Teatro! Viva o Circo" promovido pelo Sesc e a Cooperativa Baiana de Teatro, além de outras iniciativas da Fundação Cultural e do próprio teatro Xisto Bahia. Ao contrário, são em espaços como esses que nos fortalecemos enquanto artistas e classe trabalhadora, demonstrando o potencial de nossas produções e de como conseguimos aliar trabalho e sonho em um mesmo espaço-tempo.
Juntos, temos colhido diversas conquistas como, por exemplo dois Festivais de Teatro de nível Internacional (FILTE- Festival Latino-Americano de Teatro e o FIAC- Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia). O que aumenta ainda mais a nossa fome e sede por mais mudanças e melhorias a fim de criar um verdadeiro mercado de trabalho de Artes Cênicas na Bahia.

Viva o Teatro!Viva o circo! Salve Dionisio! Evoé Baco!

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